Por: Editora-Chefe, Negócios Tech

Se em 2023 o medo era de que a IA “roubaria seu emprego”, em 2026 a realidade entregou um roteiro mais irónico: a IA não roubou o seu emprego, ela roubou a parte chata dele. O problema? Muitos profissionais definiam o seu valor justamente por essa “parte chata”.

O diagnóstico da redação do Negócios Tech é claro: estamos a viver o fim da era da execução braçal digital e o início da Era da Curadoria.

Adeus, “Digitadores de Luxo”

Lembra-se de quando saber usar fórmulas complexas no Excel ou escrever códigos básicos era um diferencial competitivo? Em 2026, isso é o equivalente a saber usar uma calculadora. Os Agentes Autónomos de IA já fazem o trabalho pesado de análise de dados e geração de código enquanto você dorme.

A pergunta crítica que o empreendedor deve fazer agora é: “Se eu tirar a execução técnica das mãos da minha equipa, o que é que sobra de humano?”

Se a resposta for “nada”, temos um problema de negócio. Se a resposta for “estratégia, ética e criatividade”, temos uma mina de ouro.

O Surgimento do “Gerente de Agentes”

A grande oportunidade para os profissionais de tecnologia e negócios este ano não está em aprender uma nova linguagem de programação por semestre, mas em tornar-se um Orquestrador de IA.

O mercado está desesperado por pessoas que saibam:

  1. Definir a intenção: Saber o que perguntar (o prompt evoluiu para a arquitetura de objetivos).
  2. Verificar a verdade: Num mundo de alucinações de IA, o “fact-checking” técnico e ético é a competência mais cara do mercado.
  3. Empatia Estratégica: A IA prevê o churn de clientes, mas é o humano que liga para o cliente e reconquista a confiança com base em nuances que nenhum algoritmo capta.

Churn de clientes: métrica que mede a perda de clientes ou assinantes em um determinado período, indicando a rotatividade ou evasão.

Análise de Bastidores: O Perigo da “Atrofia Mental”

Há uma implicação social perigosa aqui: se as máquinas fazem o básico, como é que formamos os juniores? Se não há mais tarefas simples para o estagiário, como é que ele se torna sénior? As empresas que terão sucesso em 2026 são aquelas que estão a redesenhar os seus planos de carreira para ensinar senso crítico desde o primeiro dia, e não apenas ferramentas.

As motivações das empresas mudaram. Não se contrata mais “mão de obra”, contrata-se “cérebro de obra”. O custo de um erro humano de julgamento em 2026 é muito maior do que um erro de digitação em 2020.


A sua função hoje é mais “execução” ou “curadoria”?

Sente que a tecnologia o está a libertar para pensar ou está a lutar para provar que ainda é necessário num mar de automação? Deixe o seu comentário abaixo e vamos discutir as competências que realmente pagam as contas em 2026!

By Tayliny Battistella

Historiadora e publicitária que esta se descobrindo nerd e gamer. Socio fundadora do Negócios Tech.

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