Relatório da KnowBe4 revela que golpes com inteligência artificial estão substituindo o phishing tradicional e desafiam as estratégias de segurança das empresas
Os golpes cibernéticos entraram em uma nova fase. Se antes o principal risco para empresas era o phishing por e-mail, hoje a inteligência artificial generativa elevou o nível das fraudes com o uso de deepfakes, capazes de reproduzir vozes, rostos e vídeos com alto grau de realismo.
Um levantamento da KnowBe4, empresa especializada em segurança cibernética e treinamento para colaboradores, mostra que 90% dos profissionais brasileiros afirmam que conteúdos de voz e vídeo gerados por IA já são tão convincentes que se tornou difícil distinguir o que é verdadeiro do que foi criado artificialmente.
O estudo aponta que a evolução das ameaças digitais está pressionando empresas a repensarem seus modelos de segurança, especialmente em um momento em que organizações aceleram a adoção de ferramentas de inteligência artificial para automatizar processos e aumentar a produtividade.
Deepfakes se tornam nova fronteira da engenharia social
Segundo o relatório “From Agentic Risk to Human Wins”, os ataques deixaram de depender apenas de e-mails falsos e passaram a explorar conteúdos hiper-realistas produzidos por IA.
Na prática, criminosos conseguem criar vídeos ou mensagens de voz que simulam executivos, gestores ou colegas de trabalho para induzir funcionários a realizar transferências financeiras, compartilhar informações confidenciais ou conceder acessos indevidos.
A pesquisa mostra que 61% dos trabalhadores brasileiros acreditam que poderiam ser enganados por um golpe sofisticado utilizando deepfake para imitar um executivo ou outro representante da empresa.
IA amplia eficiência — e também os riscos corporativos
O levantamento destaca que muitas empresas já incorporam agentes autônomos e soluções baseadas em inteligência artificial em suas operações. No entanto, a velocidade dessa transformação não tem sido acompanhada pela evolução das estratégias de segurança.
De acordo com a KnowBe4, isso cria novos pontos de vulnerabilidade, principalmente porque os ataques deixaram de ser isolados e passaram a ocorrer de forma coordenada em diferentes canais de comunicação.
Hoje, um mesmo golpe pode combinar:
- e-mails falsos;
- mensagens por SMS;
- aplicativos corporativos de colaboração;
- chamadas de voz geradas por IA;
- vídeos manipulados por deepfake.
Esse modelo de ataque aumenta significativamente as chances de sucesso ao explorar diferentes formas de interação com os colaboradores.
Segurança depende cada vez mais do fator humano
Para Rafael Peruch, Consultor Técnico de CISO para a América Latina da KnowBe4, o desafio atual vai além da tecnologia.
“As organizações precisam construir sistemas que orientem o comportamento das pessoas e fortaleçam uma cultura de segurança. Mais do que identificar falhas, é necessário incentivar boas práticas e estender essa mentalidade tanto para colaboradores quanto para agentes de inteligência artificial.”
Segundo o especialista, a combinação entre tecnologia e conscientização dos profissionais será determinante para reduzir o impacto dos ataques baseados em IA.
Empresas precisam adaptar sua estratégia de cibersegurança
O estudo conclui que a transformação digital impulsionada pela inteligência artificial também exige uma mudança na forma como as empresas tratam riscos cibernéticos.
Com ataques cada vez mais automatizados, personalizados e difíceis de identificar, treinamentos contínuos, validação de identidade em múltiplas etapas e protocolos específicos para verificar solicitações sensíveis tendem a se tornar práticas cada vez mais importantes nas organizações.
À medida que os deepfakes evoluem, o maior desafio deixa de ser apenas proteger sistemas e passa a incluir a capacidade das empresas de preparar pessoas para reconhecer tentativas de manipulação em um ambiente digital cada vez mais sofisticado.
