qui. set 17th, 2026

Conselho consultivo reúne especialistas em negócios, operações, posicionamento e jurídico para apoiar pequenas e médias empresas do setor

O crescimento do mercado publicitário brasileiro vem acompanhado de um desafio cada vez mais presente entre pequenas e médias agências: transformar operações ainda concentradas nos fundadores em empresas estruturadas, rentáveis e capazes de crescer com maior autonomia.

É nesse cenário que quatro profissionais com experiência em gestão e expansão de agências se uniram para criar a OBST, iniciativa voltada a oferecer conselho consultivo, formação e acompanhamento estratégico para empresas com faturamento mensal a partir de R$ 100 mil.

O grupo é formado por Brunna Casagrande, fundadora e CEO da 6B Partners; David V. Bydlowski, fundador e CEO da Rosh; Georgia Aliperti, sócia e Chief Creative & Operations Officer da Rosh; e Rodrigo Báez, fundador e CEO da Brand Lock. Juntos, os quatro somam mais de 62 anos de experiência no setor.

A proposta é levar às pequenas e médias agências uma estrutura de aconselhamento que normalmente está mais disponível para empresas de maior porte. O modelo combina especialistas em estratégia de negócios, operações, posicionamento de marca e questões jurídicas.

Mercado publicitário cresce, mas gestão continua concentrada

O movimento ocorre em um mercado que registrou crescimento expressivo. Segundo dados do Cenp-Meios citados pela iniciativa, o investimento publicitário realizado por meio de agências chegou a R$ 28,9 bilhões em 2025, alta de 10% em relação ao ano anterior.

O levantamento, realizado com informações de 330 agências, aponta que a expansão do setor foi aproximadamente quatro vezes superior à variação de 2,3% do Produto Interno Bruto no mesmo período.

Ao mesmo tempo, o mercado permanece pulverizado. Dados do Observatório do Sebrae indicavam 32,9 mil estabelecimentos ativos classificados como agências de publicidade até fevereiro de 2026.

Nesse universo, convivem grandes grupos e operações enxutas, muitas delas ainda fortemente dependentes da atuação direta de seus proprietários. Atendimento, vendas, criação, gestão de equipes, contratação, precificação e decisões financeiras podem permanecer concentrados em uma única pessoa.

Para David V. Bydlowski, esse modelo pode deixar de ser uma proteção e passar a representar um obstáculo ao crescimento.

“Existe um momento em que a centralização deixa de proteger a agência e começa a limitar o seu crescimento.”

O problema se torna mais evidente quando a empresa já possui clientes, funcionários e uma operação complexa, mas ainda não tem recursos para manter uma estrutura completa de diretoria.

Crescer não significa necessariamente aumentar a rentabilidade

Um dos pontos centrais da proposta é diferenciar crescimento de faturamento de crescimento sustentável.

Uma agência pode ampliar a carteira de clientes e, simultaneamente, enfrentar aumento de retrabalho, sobrecarga das equipes, perda de margem e maior dependência do fundador.

Nesse cenário, a prioridade pode não ser vender mais, mas revisar preços, custos, produtos, capacidade produtiva e rentabilidade por cliente.

A metodologia da OBST prevê, portanto, que os indicadores sejam definidos de acordo com a realidade de cada empresa. Entre as métricas possíveis estão margem operacional, retrabalho, receita recorrente, concentração de clientes, capacidade produtiva, rotatividade de profissionais e tempo dedicado pelo fundador à operação.

A estratégia também pode envolver aumento do tíquete médio, criação de novos produtos, diversificação de receitas, formação de lideranças e redução da dependência de clientes específicos.

Quatro áreas para enfrentar os principais gargalos

A estrutura da OBST está organizada em quatro frentes: negócios, operações, posicionamento e jurídico.

Na área de negócios, a proposta é trabalhar a transição do proprietário para uma atuação mais estratégica, além de diversificação de receitas, formação de equipes e modelos de sociedade.

A frente de operações será conduzida por Georgia Aliperti e deverá abordar processos, capacidade produtiva, indicadores de desempenho, rentabilidade operacional, formação de sucessores e redução da dependência do fundador.

Em posicionamento, Brunna Casagrande trabalhará questões como diferenciação, construção de metodologias próprias, desenvolvimento de produtos e transformação da marca da agência em um ativo do negócio.

Já a área jurídica, liderada por Rodrigo Báez, tratará de contratos, propriedade intelectual, registro de marcas, estrutura societária e modelos de partnership.

A integração dessas quatro áreas busca evitar que os problemas sejam tratados de forma isolada. Uma decisão comercial, por exemplo, pode impactar simultaneamente a operação, a marca, os contratos e a margem da empresa.

Conselho consultivo combina acompanhamento individual e coletivo

Além das reuniões estratégicas, a iniciativa prevê aulas online, mentorias individuais, sessões coletivas de hot seat, reuniões trimestrais de conselho, encontros presenciais e uma comunidade exclusiva.

Os encontros online mensais deverão reunir dois dos quatro especialistas para discutir temas relacionados a gestão, modelo de negócio, cultura, posicionamento, agilidade, contratos e capacidade de execução.

Também estão previstas mentorias individuais de 30 minutos. A estrutura foi planejada para oferecer até 64 sessões por mês, considerando uma turma inicial de aproximadamente 30 participantes.

Outro mecanismo será o hot seat, no qual um especialista responde coletivamente às questões apresentadas pelos participantes. A ideia é transformar problemas individuais em oportunidades de aprendizado para todo o grupo.

Reuniões trimestrais simulam dinâmica de conselho empresarial

Um dos principais componentes da proposta será o encontro trimestral com os quatro especialistas simultaneamente.

No formato denominado Board Room, os participantes poderão apresentar resultados, desafios e decisões estratégicas. A dinâmica pretende reproduzir uma reunião de conselho empresarial, permitindo que os quatro profissionais complementem, questionem ou discordem das recomendações apresentadas.

O objetivo é utilizar esses encontros para revisar metas, analisar indicadores e definir prioridades para o ciclo seguinte.

A programação também prevê dois encontros presenciais por ano em São Paulo e participação no Agency Day by Agency Club.

Metas serão definidas de acordo com o estágio de cada empresa

A metodologia da OBST é organizada a partir das iniciais do nome da iniciativa: objetivar, buscar, superar e tentar novamente.

Em vez de estabelecer uma meta única para todas as empresas, a proposta parte do diagnóstico individual.

Para uma agência, a prioridade pode ser dobrar o faturamento. Para outra, aumentar a margem, reduzir o retrabalho ou diminuir o número de decisões que dependem diretamente do fundador.

A lógica coloca a profissionalização da gestão como condição para um crescimento mais sustentável.

A primeira apresentação pública da iniciativa estava prevista para 2 de setembro de 2026, em uma aula online e gratuita intitulada “É surto ou é o mercado?”. O encontro foi divulgado como uma oportunidade para discutir as principais dores dos empreendedores do setor e apresentar a proposta da OBST.

O desafio de transformar agências em empresas

O movimento evidencia uma mudança importante no mercado de serviços criativos. À medida que as agências crescem, questões como margem, processos, sucessão, propriedade intelectual, posicionamento e governança passam a ter peso semelhante ao da criatividade e da conquista de novos clientes.

Para empresas que chegam ao estágio intermediário de crescimento, o desafio deixa de ser apenas conquistar mercado. Passa a ser criar uma estrutura capaz de sustentar esse crescimento sem transformar o fundador no principal ponto de dependência da operação.

Nesse contexto, iniciativas de aconselhamento coletivo podem representar uma alternativa para negócios que ainda não conseguem manter uma estrutura completa de executivos seniores, mas já enfrentam problemas que exigem decisões mais sofisticadas de gestão.

By Tayliny Battistella

Historiadora e publicitária que esta se descobrindo nerd e gamer. Socio fundadora do Negócios Tech.

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